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segunda-feira, 27 de abril de 2015

O DISCÍPULO DA MADRUGADA (PADRE FÁBIO DE MELO)




O discípulo da madrugada é um homem/judeu, acostumado à religião daquele tempo, do velho testamento, com o mesmo jeito de ver as coisas que ainda encontramos na nossa sociedade, e muitas vezes dentro de nós. 

O discípulo passa a seguir Jesus em segredo, e aprende com Ele lições incríveis.O livro é uma ficção, mas poderia ter sido real, pois ele te leva para o tempo de Jesus, te coloca como um discípulo dele no decorrer da história, a aprender as lições que Ele realmente ensinou e a entender as escrituras.

" Eu também o segui. Ao meu modo, mas segui. Com meus receios, minhas ressalvas, com minhas prudências. Ele me recebeu sem reservas, Nunca se opôs ao modo como escolhi estar com ele. Sempre em segredo, reservando me oportunidades de conversar quando todos já dormiam. Ele me chamava de " o discípulo da madrugada". 

(O discípulo da madrugada; Padre Fábio de Melo)


sábado, 14 de fevereiro de 2015

Indicação de leitura






Desapegar: remover da sua vida tudo que torne o seu coração mais pesado. Loucos são os que mantêm relacionamentos ruins por medo da solidão. Qual é o problema de ficar sozinha? Que me desculpe o criador da frase “você deve encontrar a metade da sua laranja”. Calma lá, amigo. Eu nem gosto de laranja. O amor vem pros distraídos.


Tudo começa com um ponto-final: a decisão de terminar o namoro de dois anos com Gustavo, o namorado dos sonhos de toda garota. As amigas acharam que Isabela tinha enlouquecido, porque, afinal de contas, eles formavam um casal per-fei-to! Mas por trás das aparências existia uma menina infeliz, disposta a assumir as consequências pela decisão de ficar sozinha. Estava na hora de resgatar o amor-próprio, e a autoconfiança, e entrar em contato com seus próprios desejos. Parece fácil, mas atrapalhada do jeito que é, Isabela precisa primeiro lidar com o assédio de um primo gostosão, com as tentações da balada e, principalmente, entender que o príncipe encantado é artigo em falta no mercado. Isabela Freitas, em seu primeiro livro, narra os percalços vividos por sua personagem para encarar a vida e não se apegar ao que não presta, ainda assim, preservando seu lado romântico.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Livro: Entre Dois Mundos


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O livro Entre Dois Mundos - Minha Vida de Prisioneira no Irã, escrito por Roxana Saberi, narra a prisão da autora, americano-iraniana, enquanto vivia no Irã. Desde sua prisão, mediante falsas acusações, até as torturas psicológicas sofridas em cárcere, a escritora apresenta a visão de uma sociedade que parou no tempo, um país que sofre uma tremenda tensão política e, por muitas vezes, uma completa falta de humanidade. Em alguns momentos a história provoca bastante emoção, principalmente quando a autora, ainda sob custódia do regime autoritário, tem a oportunidade de rever seus pais. 

De modo geral, esse livro é muito interessante para quem quer compreender melhor um pouco o país transformado pelo famoso aiatolá Khomeini, além de acompanhar a emocionante luta de Roxana contra o sistema político do Irã. Uma dica importante para complementar a leitura é o filme iraniano intitulado “Ninguém sabe dos gatos persas”, que nos auxilia a ter uma visão mais ampla e moderna do regime de Mahmoud Ahmadinejad. Diante de tanta opressão e sofrimento destacados na obra, a comparação com nossa sociedade e modo de vida acaba sendo inevitável e a saudade de quando nossa falta de liberdade se resumia apenas às ordens de nossas mães se transforma em uma certeza a cada dia que passa.
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Livro: 1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil.


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A obra conta a historia de quando o rei de Portugal D, João VI ameaçado pelas invasões napoleônicas por ter furado o bloqueio continental com a Inglaterra, foge para a sua maior colônia na época o Brasil. Incluindo fatos e dados como a Revolução Francesa que “redesenhou o mapa da Europa”, a formação do Império Napoleônico, a vitoriosa resistência Inglesa, as tentativas de dominação francesa e a Colonização do Brasil, cuja riqueza sustentou a realeza lusitana, para onde a Família Real transferiu a sede do governo Português, fato sem precedentes na história conforme afirma autor.

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O livro é muito instrutivo; Vale a pena ler, acima de tudo por tratar de um assunto de total relevância para entendermos a consequência do meio em que vivemos.


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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Livro: A Ilha sob o mar (Isabel Alende)


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O livro da chilena Isabel Allende, A Ilha sob o Mar, retrata a região hoje conhecida como a nação pobre e miserável do Haiti. A trama tem início em 1770, na então ilha Saint-Domingue, colonizada pela França. Nesta época, graças ao açúcar, considerado o ouro doce, ela se transformou na colônia mais próspera de todo o Planeta.

Mas esta riqueza tinha um preço, pago pelos escravos que provinham das mais variadas regiões do continente africano; a eles cabia decepar a cana, moê-la e convertê-la no precioso melado que garantia a fortuna dos brancos. Era um trabalho ingrato, o qual, segundo a opinião dos proprietários, exigia o esforço de animais, não de humanos.

A protagonista desta história é a escrava Zarité, adquirida quando ainda tinha nove anos pelo francês Toulouse Valmorain, que, aos vinte anos, se vê subitamente à frente de um negócio que nunca desejou, pois aspirava se devotar ao universo literário em sua terra natal. Convocado pelo pai enfermo a assumir suas terras, ele se encontra frente a um desafio que não sabe como enfrentar.

Para tanto, Toulouse contrata o capataz Prosper Cambray, que inflige terríveis suplícios aos negros. O francês conhece apenas o progresso material e as delícias de sua posição econômico-social. Ele leva para a cama a mulata Violette Boisier e, como todo bom proprietário europeu, contrai matrimônio com a espanhola Eugenia García del Solar, que compartilha com ele a cultura e a mesma classe social. Aos poucos Valmorain se torna um típico senhor de escravos.

Zarité, reservada para as tarefas domésticas, não passa pela senzala nem conhece os sofrimentos enfrentados pelos outros escravos. Apesar de não ter pais, ela conquista a proteção paternal do antigo negro Zacharie, que lhe transmite o dom da liberdade através da dança.

Com Tante Rose, a curadora das plantas, ela conquista o dom de atenuar as dores e sofrimentos dos companheiros, levando-lhes, quando possível, a graça da cura. Ela lega estes conhecimentos ao doutor Parmentier, o qual desejava, acima de tudo, desvendar os mistérios da vegetação local. No sexo Zarité se inicia com seu proprietário francês, embora o amor verdadeiro ela reserve para Gambo, o sedutor guerreiro que conquista seu coração.

Além de tudo, a escrava Zarité receberá a oportunidade de deixar a ilha, após o declínio da cana, e percorrer, a partir de então, um novo caminho em sua existência. Sua estrela brilha sem cessar, coroando-a de sucessos e alegrias, oferecendo-lhe a chance de conhecer a genuína liberdade.

Isabel Allende revela que, neste livro, a sexualidade está mais presente do que nunca, embora ela admita estar esperando a partida de sua mãe para criar obras mais sensuais e com alta dosagem erótica. A chilena afirma que sua vida e, naturalmente, a obra que produziu, foi marcada e definida pelo golpe militar que abalou o Chile a partir de 1973.
 
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domingo, 19 de janeiro de 2014

Livro: Madame Bovary (Gustave Flaubert)



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Em Madame Bovary, há poucos diálogos; os personagens têm falas curtas. A obra é narrada em terceira pessoa, mas não com um narrador onisciente. Cada cena parece ser descrita por um personagem diferente, de maneira que o leitor visualiza a realidade ficcional do ponto de vista de um personagem e não do narrador. 

Tal fato pode ser notado em toda obra, em especial quando Charles encontra com Emma pela primeira vez e fica admirado com a alvura das suas unhas e beleza dos seus olhos e a personagem é construída sob a ótica de Charles. Por outro lado, Rodolfo, ao conhecer Emma, diz que ela se parece com as demais amantes, possuindo lábios libertinos e venais. A mesma personagem é descrita de forma distinta, como se tratasse de pessoas diferentes. 

Gustave Flaubert também criou o diálogo entrecruzado, fazendo as vozes fluírem sem as marcações “Ele disse”, “Ela respondeu” do narrador - expressões utilizadas no século XIX em razão de os romances serem lidos em voz alta nos serões. 

Flaubert começou a escrever Madame Bovary em 1851, concluindo em 1856. Foram cinco anos escrevendo compulsivamente cerca de 16 horas por dia. Flaubert revisou exaustivamente cada frase, tornando Madame Bovary uma obra-prima.
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Livro: Ana Terra (Érico Veríssimo)



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Sinopse:

A família de Ana Terra, formada por Maneco Terra, Dona Henriqueta e seus filhos Antônio, Horácio e a própria Ana, vivia em uma estância praticamente isolada no interior do Rio Grande do Sul, no século XVIII. 

A vida para eles era dura, pois enfrentavam um trabalho pesado na roça e ainda tinham que conviver com a constante ameaça de invasão dos castelhanos, que saqueavam suas casas e violentavam as mulheres. 

A vida de Ana Terra foi marcada por uma série de tragédias que começam quando ela encontra um homem ferido, com traços indígenas, ao lado de um riacho. Era Pedro Missioneiro, um homem criado em uma missão jesuíta e membro das forças de Rafael Pinto Bandeira. Em meio à vida rústica que a família Terra levava, Pedro se destacava pelo fato de ser culto e ter conhecimento musical. 

Após algum tempo de convivência, Ana se apaixona por Pedro e se entrega a ele. Ana engravida e tenta esconder o fato da família, porém o segredo acaba sendo revelado. O pai e os irmãos, seguindo a tradição de que “a honra se lava com sangue”, matam Pedro e passam a rejeitar Ana, que só conta um pouco com o apoio da mãe. O tempo passa e nasce o filho de Ana, Pedro Terra. D. Henriqueta morre, livrando-se assim de sua sina de passar os dias trabalhando. 

Até que os castelhanos invadem a casa da família Terra e matam todos os homens. Ana é violentada, mas sobrevive, assim como sobrevivem sua cunhada e as crianças. Com a plantação destruída e a casa saqueada, não há mais o que fazer ali. 

Sentindo-se livre de toda a rejeição e sofrimento que a acompanharam por tanto tempo, Ana vai em busca de uma nova vida na vila de Santa Fé, fundada nas terras do coronel Ricardo Amaral. Lá, seu filho Pedro cresce e forma uma família, lutando também em guerras contra os castelhanos. Parte para a luta com o compromisso de voltar vivo para cuidar de sua família. Enquanto isso Ana, parteira do povoado, espera pelo filho. 

Análise: 

O romance de Veríssimo é fabuloso não apenas devido a contextualização histórica em que se desenvolve a narrativa, mas principalmente porque agrega quase que imperceptivelmente pensamento e mundo exterior. A rispidez do lugar está no coração de cada membro da família, nos traços físicos, no jeito de falar e nas reflexões de Ana Terra. A firmeza está nos nomes: Terra, terra onde é difícil sonhar, flutuar. A realidade é dura para os homens, todavia, são as mulheres que ganham destaque nesta aventura, as mulheres da terra, assim como Ana, que representa todas aquelas que não puderam escolher na vida, não tendo o direito de serem felizes.
Vejo este livro como uma grande homenagem aos nomes desconhecidos, à Marias, Antonietas, Joanas... às mulheres brasileiras tão esquecidas nos cantões deste país: elas ainda existem, não permanecem quietas e submissas no século XVIII e XIX, são silenciadas aqui, neste tempo ainda, o que faz deste romance ainda mais atual.
Percebemos a influência ainda do realismo com seu determinismo em alguns momentos, mas não predomina pelos curtos capítulos. O que se destaca é a alternância do foco narrativo, ora em primeira pessoa ora em terceira, ora objetivo ora subjetivo, característica importante do modernismo, que não impõem paradigmas.
História curta, porém rica de reflexões e emoção: uma excelente aventura para os corajosos que, por vezes, arriscam-se em um mundo novo: o mundo do desbravamento e do que ele causou, o mundo da mulher calada por fora, todavia eloquente em seu coração.

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Livro: Quem mexeu no meu queijo?


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De fácil leitura e compreensão, QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO? é uma parábola que retrata a vida, suas mudanças e os objetivos (queijos) que muitos buscam. O “LABIRINTO”, onde os personagens vivem a história, representa o local onde ocorrem as buscas incessantes pelos seus objetivos. Seja no emprego, na família ou mesmo nos relacionamentos pessoais. Retrata o medo que as pessoas tem em relação às mudanças que ocorrem no cotidiano, seja na vida pessoal ou na vida profissional. 

Após o almoço de domingo, amigos juntam-se para conversar sobre as transformações ocorridas em suas vidas, um deles resolve contar uma história que ilustrava bem o assunto em debate e que o tinha ajudado a compreender melhor as mudanças. 

O autor utiliza-se de quatro personagens: Os ratos Sniff e Scurry, e os duendes Hem e Haw para retratar as diversas características do ser humano. Seu lado simples e complexo. Em alguns momentos o homem pode agir como Sniff, aquele que percebe rápido as mudanças. Ou então, como Scurry, que sai em atividade, é mais pró-ativo. Ou Hem, um dos duendes, que não aceita as mudanças, resistindo a elas. Ele acredita que algo pior pode acontecer. E finalmente Haw, o outro duende: Adapta-se em tempo a nova realidade e acredita que as mudanças podem levar a algo melhor. 

Os quatro personagens acima descritos vivem um desafio em busca de seus queijos. O queijo, representado no livro como sendo aquilo que se gostaria de ter, é o objetivo principal da busca dos personagens: Emprego, dinheiro, saúde e até um bom relacionamento amoroso. O labirinto representa o lugar onde essa busca acontece. Seja na empresa onde se trabalha, na família ou então na comunidade em que está inserido, onde vive. Cheio de corredores e divisões, o labirinto tem em alguns lugares, queijos deliciosos. Porém em outros, corredores escuros e até becos sem saída. Os personagens viviam correndo atrás de queijo para se alimentarem e ficarem felizes. Aqueles que encontravam o caminho eram premiados com uma vida mais tranqüila. “A vida não é um corredor reto e tranqüilo que nós percorremos livres e sem empecilhos, mas um labirinto de passagens, pelas quais nós devemos procurar nosso caminho, perdidos e confusos, de vez em quando presos em um beco sem saída”. 

Com a leitura do livro pudemos notar que a vida é como um labirinto com várias entradas onde devemos procurar nosso caminho, podemos nos perder às vezes, mas se tivermos confiança as portas sempre se abrirão e as boas oportunidades aparecerão para nós. 

O queijo pode representar os nossos objetivos, que devemos estar em constante busca para chegar até eles e sermos felizes, e o labirinto pode ser o lugar onde gastamos nosso tempo procurando maneiras de chegar ao sucesso, quer seja profissional ou pessoal. 

O que de mais importante percebi foi o fato de que quando dissemos que alguém mexeu em nosso queijo, quer dizer que mudaram algo em nossa vida que talvez não gostemos muito. Em nosso trabalho isso ocorre com muita freqüência, mas devemos buscar novas maneiras de realizar os nossos afazeres e sermos felizes, quem sabe até buscando por um novo queijo. Devemos nos adaptar o mais breve possível às mudanças para não ficarmos para trás e nem sofrermos quando elas acontecerem em nossas vidas, estando preparados para mudar e querendo sempre aprender coisas novas, não se acomodando diante das situações adversas. 






domingo, 5 de janeiro de 2014

Livro: O Futuro da Humanidade – (Augusto Cury)

 
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Este romance conta-nos a trajetória do jovem Marco Polo que ao entrar para a Faculdade de Medicina se depara com uma realidade dura e fria: a falta de sensibilidade dos professores, que não percebem que por detrás dos sintomas dos seus pacientes existem complexas histórias constituídas de lágrimas, perdas e deceções! 

Foi na primeira aula de anatomia que os alunos se depararam com a “imagem grotesca da morte”. Marco Polo decidiu questionar o professor George, de qual eram os nomes dos corpos que iam dissecar, ao que o professor respondeu: “Olha rapaz, aqui só há corpos sem vida, sem história, sem nada”. Ele inconformado com a situação, foi atrás dos papéis que registavam a entrada dos cadáveres, com a assistente social, mas só descobriu o nome de um, o Poeta da Vida, que segundo esta “um mendigo maltrapilho, apelidado de Falcão, que frequenta a praça central da cidade, identificou o corpo. Ele não conseguia expressar-se. Tudo indica que seja portador de uma grave e incapacitante doença mental. Por isso, não deu detalhes do morto, apenas disse que era seu amigo e chamava-se Poeta da Vida.” Marco Polo ficou curioso e perguntou onde encontrar Falcão, á assistente social e psicóloga, mas não obteve a resposta que desejava, por isso foi procurar na praça central durante dias, mas sem efeito, passado um mês encontrou Falcão, ao falar com ele, ficou “paralisado” com a sua inteligência, afinal de contas tinha subestimado a inteligência do mendigo. 

Marco Polo vestiu-se como mendigo e foi ao encontro de Falcão, as ideias dele o inspiraram- no a desejar um dia especializar-se em psiquiatria. 

Assim o “filósofo das ruas estava se tornando mestre de um jovem da elite social. O jovem admirou o mendigo e o mendigo se encantou com o jovem. Começaram a ser amigos. Ambos viviam em mundos distintos, mas foram aproximados pela linguagem universal da sensibilidade e da arte de pensar.” 

Falcão recuperara a sua alegria inata ao conviver com o jovem sonhador, este também começou a ver o mundo por outros ângulos que jamais vira. Começou a entender como era viver com a doença mental, que é um mundo complexo com necessidades intrincadas. Compreendeu que os génios e os psicóticos sempre estiveram próximos, sempre foram incompreendidos. 

Falcão revelou a identidade de um dos corpos mutilados nas aulas de anatomia, o ilustre cientista médico que num acidente havia perdido toda a família e a partir daí tinha deixado a sua carreira e se tornado um mendigo que terminou morrendo no anonimato. A revelação caiu como uma bomba na faculdade quando o professor percebe a semelhança dos traços do corpo inerte com o antigo fundador daquela universidade. 

Os laços entre Marco Polo e Falcão estreitavam-se cada vez mais, este queria tirar-lhe da rua. 

Certa vez, Marco Polo questionou-o: “Você correu grandes riscos para resgatar sua identidade e reconstruir sua sanidade. E me ensinou a correr riscos para explorar a mente humana e lutar pelos meus sonhos. Que tal correr os riscos de entrar no sistema social e reavaliar o seu passado?” Ao que ele decidiu correr esse risco para reencontrar seu filho Lucas e Marco Polo levou-o à cidade, onde Falcão encontrou um grande amigo, Toni, que trabalhava na cantina onde Falcão ia com o filho, este disse-lhe que o filho tornara-se um grande homem. Foram até à universidade, onde descobriram que este havia ido longe, era doutor em sociologia e pró-reitor da universidade, tinha apenas trinta e dois anos. Lucas estava a dar uma conferência, Falcão ficou espantado ao ver seu filho discursar com segurança, parecia surreal passados tantos anos estar de novo diante dele. Foram para casa dele, Lucas já tinha uma filha de dois anos, no dia seguinte Falcão reencontrou a ex-mulher, estes se desculparam. 

Falcão retornou às suas atividades profissionais, e Marco Polo à sua cidade. 

Marco Polo teve um pensamento que mudaria sua vida “Gastarei minha vida explorando o mais complexo e deslumbrante dos mundos: a mente humana. Serei um garimpeiro que procura ouro nos escombros das pessoas que sofrem." 

Ao longo dos anos, teria um pensamento diferente do pensamento corrente na ciência, não encararia as psicoses, as depressões e os demais transtornos psíquicos como atributo dos fracos, mas da complexidade da personalidade humana. 

O contato estreito com Falcão fez Marco Polo se tornar um estudante de medicina mais questionador e crítico do que antes. 

Marco Polo se correspondia frequentemente com Falcão, e pelo menos uma vez a cada semestre eles se visitavam. Quando se encontravam, ainda faziam peripécias. Suas atitudes inusitadas de abraçar árvores, contemplar prolongadamente a natureza, fazer poesias de improviso e declamá-las continuavam a atrair todos ao redor. 

Após a formatura, ingressou num curso de especialização em psiquiatria, num grande hospital psiquiátrico, chamado Atlântico. 

Marco Polo se entristecia ao constatar que a sociedade insistia em separar os normais dos anormais. O problema consistia em saber quem era menos doente, se os de fora ou os de dentro. 

No começo da sua especialização, ele se perguntava frequentemente: "O que estou fazendo aqui?" Era um mundo completamente distinto da sociedade em que crescera. 

Marco Polo tentou mudar a abordagem clássica da psiquiatria e os paradigmas da medicina, enfrentando uma grande batalha contra professores e médicos de renome internacional. Ele desafiou profissionais de renome para provar que os pacientes com problemas psiquiátricos merecem mais atenção, respeito e dedicação, e menos remédios. 

Marco Polo esteve perto a ser expulso da instituição. Mas não seria infiel à sua consciência. 

O hospital estava mais alegre, as pessoas se comunicavam mais, alguns enfermeiros tornaram-se mais afetivos e alguns psiquiatras mais bem-humorados. 

Após a reunião para sua expulsão, Marco Polo ficou mais contido, mas não menos arrojado. 

A psiquiatria e a psicologia deram um salto qualitativo, e os pacientes começaram a amar o hospital psiquiátrico. 

Marco Polo terminou sua especialização em psiquiatria. De vez em quando, visitava seus amigos no Hospital Atlântico. Ao mesmo tempo que se destacava como profissional, escrevia suas ideias sobre o mundo intangível da mente humana. 

Num debate que Marco Polo participou, com o tema "Depressão, a doença do século", conheceu Anna, aluna de psicologia, que se tornou a sua grande paixão, uma milionária, em conflito consigo mesma, que ao seu lado encontrou a razão de viver e mesmo contra a opinião do pai Lúcio Fernández, ficaram juntos, vivendo um amor imbuído de respeito um pelo outro e pela vida.
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